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Regressar às aulas sem ecrãs: SalusLive alerta para riscos graves do uso excessivo

Tempo de leitura estimado: 4 minutos

A SalusLive, referência nacional em intervenção pediátrica, alerta que a exposição excessiva de crianças a ecrãs está a provocar ansiedade, depressão, défice de atenção, obesidade e isolamento social, ameaçando criar “uma geração ansiosa, sedentária e dependente”.

Crianças portuguesas já ultrapassam limites recomendados

Em Portugal, as crianças passam muito mais tempo em frente a ecrãs do que o recomendado internacionalmente:

  • Pré-escolar (3–5 anos): média de 2h34 por dia (154 minutos)

  • Ensino básico (6–10 anos): média de 3h21 por dia (201 minutos)

As recomendações internacionais são claras: não mais do que 60 minutos diários para os mais novos e até 2 horas para os mais velhos. A maioria das crianças portuguesas excede largamente estes limites.

Consequências para a saúde mental, física e social

De acordo com a SalusLive, o uso excessivo de ecrãs está associado a:

  • Saúde mental: ansiedade, depressão, défice de atenção e risco de dependência digital.

  • Socialização: isolamento, dificuldades de comunicação, menor empatia e cooperação.

  • Saúde física: sedentarismo, obesidade, distúrbios do sono, problemas de visão e postura.

Estes efeitos agravam-se quando o tempo de ecrã substitui atividades essenciais como brincadeira, convívio familiar e sono adequado.

“Estamos a assistir ao crescimento de uma geração menos sociável e com maiores dificuldades emocionais. Se nada mudar, daqui a 5 ou 10 anos veremos jovens com mais problemas de saúde mental, menor capacidade de adaptação escolar e profissional e com doenças físicas crónicas associadas ao sedentarismo e ao mau uso da tecnologia”, alerta Raquel Cunha, diretora clínica da SalusLive.

Idades mais vulneráveis

A SalusLive destaca quatro fases críticas:

  • 0–2 anos: uso totalmente desaconselhado; prejudica linguagem, vínculo afetivo e sono.

  • 2–5 anos: afeta atenção, autorregulação emocional e substitui brincadeiras fundamentais.

  • 6–10 anos: interfere na aprendizagem, sono e relações sociais.

  • +11 anos: aumenta risco de ansiedade, depressão e dependência digital, sobretudo pelo uso intensivo de redes sociais.

O papel dos pais e das escolas

A solução passa por um esforço conjunto:

  • Pais: devem ser exemplo, criar zonas sem ecrãs em casa (refeições, quartos), negociar regras e propor alternativas offline (jogos, leitura, atividades ao ar livre).

  • Escolas: devem limitar o uso de telemóveis nos intervalos, promovendo socialização, movimento e descanso digital.

5 recomendações da SalusLive para intervalos mais saudáveis

  1. Criar zonas livres de ecrãs nos recreios.

  2. Disponibilizar materiais simples (cordas, bolas, jogos de chão).

  3. Promover dinâmicas diárias de cooperação e empatia.

  4. Organizar rodas de conversa curtas para estimular diálogo.

  5. Envolver alunos na criação de brincadeiras, dando-lhes responsabilidade.

O impacto de uma geração dependente

Se nada mudar, Portugal arrisca-se a criar jovens com maiores dificuldades emocionais e sociais, menos preparados para cooperar, liderar ou lidar com frustrações. A médio prazo, isto terá reflexos também na economia e no mercado de trabalho.

Recomendações oficiais

Segundo a Sociedade Portuguesa de Pediatria, os limites seguros são:

  • 0–2 anos: evitar totalmente

  • 2–5 anos: máximo 1h/dia, sempre com supervisão

  • 6–10 anos: até 2h/dia

  • +11 anos: idealmente 2–3h/dia (excluindo uso escolar)

A resposta da SalusLive

A SalusLive está a preparar programas educativos e workshops dirigidos a famílias e escolas para promover hábitos digitais mais saudáveis.

“É tempo de devolver às crianças o direito de brincar, conviver e sentir-se parte de um grupo real. Mais do que ecrãs, elas precisam de tempo connosco, com os seus pares e com o mundo físico”, conclui Raquel Cunha.

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