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A cidade da Praia acolhe, de 8 a 10 de Outubro, o 14.º Encontro de Escritores de Língua Portuguesa. O tema é “A Língua Portuguesa como elemento de adaptação num mundo em mudança”. A organização pertence à União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, em parceria com a Câmara Municipal da Praia.
Durante três dias, escritores, investigadores, editores, professores e críticos literários debatem o lugar do português perante as transformações culturais, sociais, científicas e tecnológicas em curso.
Uma Presidente interina encerra os trabalhos
A sessão de abertura, marcada para as 14 horas de quinta-feira, conta com o primeiro-ministro de Cabo Verde, Francisco Carvalho, e com o ministro da Administração Estatal de Timor-Leste, Tomás do Rosário Cabral.
Francisco Carvalho tomou posse a 27 de Junho, depois da vitória do PAICV nas legislativas de 17 de Maio. Antes disso presidiu à Câmara Municipal da Praia, a autarquia que co-organiza o encontro.
O encerramento, às 16 horas de sábado, cabe a Janira Hopffer Almada, Presidente da República interina. A circunstância explica-se pela lei. José Maria Neves anunciou a 14 de Setembro a recandidatura a um segundo mandato. Em consequência, e nos termos do artigo 131.º da Constituição e do artigo 383.º do Código Eleitoral, as funções presidenciais ficam suspensas desde o anúncio até à proclamação dos resultados. As presidenciais realizam-se a 15 de Novembro.
Assim, a presidência transitou para a presidente da Assembleia Nacional, cargo que Hopffer Almada ocupa desde 18 de Junho. É a primeira mulher a exercer ambas as funções em Cabo Verde. Enquanto interina, não pode dissolver o parlamento, convocar referendos nem conceder indultos.
Cinco subtemas, da morna à ciência
O programa divide-se em cinco painéis. O primeiro, logo na quinta-feira, trata a morna cabo-verdiana como motor de criatividade literária.
Na sexta-feira seguem-se dois painéis de manhã e um à tarde. Debatem o português como segunda língua de aprendizagem fora do espaço lusófono, o português enquanto língua de ciência, tecnologia e inovação, e a influência da poesia brasileira do século XX na identidade lírica do idioma.
O último painel, no sábado, discute o papel do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa na divulgação internacional da literatura em português. O galardão, atribuído anualmente, destina-se a novos escritores e resulta de uma parceria com a Câmara Municipal de Lisboa.
O Encontro de Escritores fixou-se na capital cabo-verdiana
A Praia recebeu o sétimo encontro em 2017. No final dessa edição, a UCCLA e a autarquia assinaram um protocolo que atribuiu à cidade a organização das três edições seguintes. A ligação manteve-se desde então.
Em 2025, a capital cabo-verdiana acolheu o 13.º encontro, dedicado ao tema “Independência, Literatura, Inteligência Artificial”.
Vinte e quatro autores, metade cabo-verdianos
Estão confirmados 24 escritores, oriundos de onze países e regiões. Metade são cabo-verdianos, entre os quais Eutrópio Lima da Cruz, Dai Varela, Augusta Évora e César Monteiro.
Do Brasil chegam Aline Cardoso, José Inácio Vieira de Melo e José Manuel Diogo. Angola é representada por Alberto Oliveira Pinto, Moçambique por António Costa Neto, a Guiné-Bissau por Amadu Dafé e São Tomé e Príncipe por Olinda Beja. Portugal conta com Joana Matos Frias e Timor-Leste com Benjamim Côrte-Real.
A lista inclui ainda participantes de três geografias fora do espaço lusófono: Meri Grubic, da Croácia, Maria Rosário Fernandez Bello, da Galiza, e Hugo Pinto, de Macau.
Programação aberta à comunidade
Paralelamente aos painéis decorrem iniciativas abertas ao público. Entre elas contam-se a Feira Gastronómica Urbana, a Grande Feira do Livro, uma acção de plantação de árvores e uma limpeza costeira agendada para a manhã de sábado.
Será também apresentado o trabalho do projecto “Nosso Património, Nossa Riqueza”, desenvolvido em parceria com o município de Ribeira Grande de Santiago.
O programa completo está disponível no sítio da UCCLA.





