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O Verão português, outrora sinónimo de praias, festas e reencontros familiares, tornou-se tristemente num ciclo vicioso e devastador, onde incêndios dominam as manchetes quase diariamente. Este ano não constitui exceção. Vila Real e Celorico de Basto emergem como mais duas vítimas recentes de um fenómeno que parece cada vez mais inevitável. Mais de 500 operacionais mobilizados, centenas de veículos envolvidos, casas ameaçadas e populações em permanente sobressalto são imagens recorrentes que já se tornaram familiares.
Embora fenómenos naturais estejam fora do nosso controlo imediato, há inúmeras medidas preventivas negligenciadas e que continuam pendentes. O incidente na festa de Marinhais, onde fogo de artifício provocou múltiplos focos de incêndio, reflete claramente uma falta persistente de responsabilidade cívica e consciência coletiva. A pergunta que fica é inevitável: quantos mais incêndios terão de ocorrer até que se atribua à prevenção a seriedade e prioridade atribuídas ao combate?
É difícil não sentir que vivemos num eterno retorno, presos numa incapacidade coletiva de aprender e prevenir. A cada onda de calor, os alertas ecoam previsivelmente, porém, as respostas são consistentemente insuficientes. Desta vez, a realidade toca-nos diretamente, com um episódio simbólico e preocupante: o carro presidencial nos Açores a fumegar, metáfora inquietante do estado de emergência nacional em que vivemos.
É imperativo repensar estratégias e reforçar investimentos concretos em prevenção e sensibilização, especialmente nas regiões mais vulneráveis. Não basta responder à crise; é fundamental um esforço sustentado durante todo o ano. Apenas assim conseguiremos evitar que o Verão deixe de ser uma época de férias para se transformar num período de medo e tragédia para todos os portugueses.
Até que haja uma mudança efetiva e profunda, continuaremos, infelizmente, a lamentar danos evitáveis em vidas humanas, património natural e bens materiais. Que este Verão seja o último em que apenas reagimos ao fogo, em vez de o prevenir.





