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MB WAY entra em rede europeia de pagamentos com sede em Madrid

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A SIBS é uma das cinco fundadoras da European Network for Payments, entidade criada para ligar entre si as principais soluções de pagamento europeias. O anúncio foi feito a 30 de Setembro.

Participam ainda a italiana Bancomat, a espanhola Bizum, a EPI Company, que explora a Wero, e a nórdica Vipps MobilePay. Os cinco parceiros ficam accionistas em pé de igualdade. A sede fica em Madrid.

A nova entidade vai gerir o centro técnico comum de interoperabilidade previsto no memorando de entendimento assinado pelos fundadores em Fevereiro deste ano.

O que muda para quem usa MB WAY

O objectivo é permitir que cada solução nacional mantenha a sua marca e a sua aplicação, mas passe a comunicar com as restantes. Na prática, um utilizador do MB WAY poderá enviar dinheiro a um utilizador do Bizum em Espanha ou do Bancomat em Itália.

A implementação é faseada. Começa pelas transferências transfronteiriças entre particulares. Só depois avança para o comércio electrónico e para os terminais de pagamento nas lojas.

O comunicado não indica uma única data. Não diz quando arranca a primeira fase, nem quando estarão disponíveis os pagamentos em loja. Refere apenas que as soluções e a nova entidade estão agora a preparar a implementação técnica.

“Estamos a construir a infra-estrutura que permite aos utilizadores do MB WAY efectuar pagamentos transfronteiriços de forma integrada, mantendo simultaneamente a soberania, a confiança e a proximidade que caracterizam as soluções de pagamentos nacionais”, afirmou João Mello Franco, presidente executivo da SIBS.

Uma rede construída em três anos

A European Network for Payments é o resultado de um processo iniciado em Dezembro de 2023, quando a Bancomat, a Bizum e a SIBS assinaram uma carta de intenções e criaram a EuroPA, a aliança europeia de pagamentos.

Em Junho de 2025, a EuroPA e a European Payments Initiative, responsável pela Wero, anunciaram uma parceria estratégica para estudar uma solução transfronteiriça comum. O memorando de entendimento foi assinado em Fevereiro de 2026 e a entidade constituída em Setembro.

Segundo os fundadores, as soluções envolvidas somam cerca de 130 milhões de utilizadores. Estão presentes em 13 países, que representam mais de 70 por cento da população da União Europeia e da Noruega. Em Portugal, o MB WAY conta 7 milhões de utilizadores, de acordo com a SIBS.

A dependência que está por trás da palavra soberania

O comunicado invoca repetidamente a soberania europeia, mas não identifica a dependência que motiva o projecto.

Os sistemas internacionais, Visa e Mastercard, representam mais de 60 por cento dos pagamentos com cartão na área do euro. Treze dos 21 países da área do euro não dispõem de qualquer solução nacional de pagamentos.

“A Europa não tem um sistema europeu de cartões”, afirmou em Junho a presidente do Banco Central Europeu. Christine Lagarde acrescentou que, no actual contexto geopolítico, “a propriedade das infra-estruturas financeiras é um instrumento de poder, pelo que a soberania passou a importar onde antes não importava”.

O euro digital avança em paralelo

A rede dos bancos não é a única resposta em curso. O Banco Central Europeu decidiu em Outubro de 2025 passar o projecto do euro digital à fase seguinte.

O Parlamento Europeu aprovou a 9 de Julho, por 416 votos a favor, 169 contra e 22 abstenções, o início das negociações com o Conselho sobre o regulamento do euro digital. Os deputados defendem um limite máximo de euros digitais por cidadão.

Se a legislação for aprovada em 2026, o BCE prevê um exercício-piloto a partir de meados de 2027 e uma primeira emissão possível em 2029. O custo de desenvolvimento até à primeira emissão está estimado em cerca de 1,3 mil milhões de euros, com despesas anuais de funcionamento na ordem dos 320 milhões a partir de 2029.

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