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A Greenpeace reagiu de forma contundente à decisão do Presidente Donald Trump de ordenar a retirada dos Estados Unidos de dezenas de organizações internacionais. Isso inclui a Convenção‑Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC) e o Tratado Global dos Oceanos. Para a organização ambientalista, trata-se de um passo perigoso. Isso enfraquece a resposta global à emergência climática e deixa o mundo menos protegido.
Segundo a Greenpeace, o tratado da UNFCCC constitui um pilar essencial da cooperação internacional sobre o clima. Serve interesses de sobrevivência comuns a todos os países. A saída dos Estados Unidos representa, na prática, “virar as costas ao mundo”. Isso agrava um contexto já marcado pelo aumento da frequência e intensidade dos fenómenos climáticos extremos.
“Vergonhoso e perigoso”
Em reação ao memorando presidencial que determina a retirada norte-americana de 66 organismos internacionais, John Hocevar, diretor da campanha de Oceanos da Greenpeace EUA, afirma que o Presidente está a ignorar os próprios interesses do país.
“Mais uma vez, o presidente ignorou os interesses dos Estados Unidos para promover a sua própria agenda pessoal, pondo em perigo o nosso futuro coletivo. As alterações climáticas já custam à economia americana cerca de 150 mil milhões de dólares por ano. E prevê-se que este valor aumente drasticamente”, sublinha Hocevar.
O responsável alerta ainda que os problemas globais que estas organizações procuram resolver não desaparecem com decisões unilaterais. Diz: “Não vão parar na fronteira americana só porque o presidente já não quer que os Estados Unidos ajudem a abordá-los”.
Impacto desigual e risco de isolamento
A Greenpeace reconhece que os efeitos da retirada não serão uniformes. Os Estados Unidos e outros países do Norte Global são responsáveis por uma parte significativa do financiamento internacional para a ação climática e ambiental. A decisão de Washington transfere uma carga acrescida para outros países, num momento em que a cooperação multilateral é considerada crítica.
Por outro lado, a organização sublinha que a ausência dos EUA poderá retirar peso a atitudes obstrucionistas nas negociações internacionais. Ainda assim, o custo do isolacionismo será elevado, traduzindo-se em maior poluição, degradação ambiental e aumento da vulnerabilidade a desastres climáticos.
Greenpeace Portugal fala em “retrocesso grave”
A Greenpeace Portugal classifica a decisão como “um ato de profunda irresponsabilidade e um retrocesso grave para a ação climática global”. Para Toni Melajoki Roseiro, diretor da organização em Portugal, o afastamento dos EUA fragiliza seriamente a resposta internacional à crise climática.
“Os Estados Unidos são a maior economia mundial e uma das maiores emissoras de gases com efeito de estufa. Quando um país com este peso se afasta de mecanismos essenciais de cooperação internacional, enfraquece de forma significativa a resposta global”, afirma.
O responsável alerta ainda para o abandono do trabalho científico desenvolvido no âmbito do IPCC. Considera que ignorar a ciência não elimina a realidade das alterações climáticas.
“Este afastamento representa um desrespeito pelos compromissos internacionais e pelas recomendações científicas que exigem uma ação urgente e coordenada. Tememos também que esta decisão incentive outros governos populistas a abandonar compromissos climáticos”, acrescenta.
Direitos humanos e crise climática
Para a Greenpeace, a decisão norte-americana ultrapassa a esfera ambiental e assume uma dimensão de direitos humanos. As alterações climáticas ameaçam diretamente a vida, a saúde, a alimentação e a habitação de milhões de pessoas, sobretudo das populações mais vulneráveis.
A organização conclui que abandonar acordos e organismos internacionais não faz desaparecer a crise climática, apenas aumenta os riscos e aprofunda as desigualdades globais.
