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Greenpeace activists deploy a banner on a construction crane near the White House reading "RESIST" on President Trump's fifth day in office. The activists are calling for those who want to resist Trump's attacks on environmental, social, economic and educational justice to contribute to a better America.

Greenpeace critica saída dos EUA da Convenção-Quadro da ONU sobre as alterações climáticas

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A Greenpeace reagiu de forma contundente à decisão do Presidente Donald Trump de ordenar a retirada dos Estados Unidos de dezenas de organizações internacionais. Isso inclui a Convenção‑Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC) e o Tratado Global dos Oceanos. Para a organização ambientalista, trata-se de um passo perigoso. Isso enfraquece a resposta global à emergência climática e deixa o mundo menos protegido.

Segundo a Greenpeace, o tratado da UNFCCC constitui um pilar essencial da cooperação internacional sobre o clima. Serve interesses de sobrevivência comuns a todos os países. A saída dos Estados Unidos representa, na prática, “virar as costas ao mundo”. Isso agrava um contexto já marcado pelo aumento da frequência e intensidade dos fenómenos climáticos extremos.

“Vergonhoso e perigoso”

Em reação ao memorando presidencial que determina a retirada norte-americana de 66 organismos internacionais, John Hocevar, diretor da campanha de Oceanos da Greenpeace EUA, afirma que o Presidente está a ignorar os próprios interesses do país.

“Mais uma vez, o presidente ignorou os interesses dos Estados Unidos para promover a sua própria agenda pessoal, pondo em perigo o nosso futuro coletivo. As alterações climáticas já custam à economia americana cerca de 150 mil milhões de dólares por ano. E prevê-se que este valor aumente drasticamente”, sublinha Hocevar.

O responsável alerta ainda que os problemas globais que estas organizações procuram resolver não desaparecem com decisões unilaterais. Diz: “Não vão parar na fronteira americana só porque o presidente já não quer que os Estados Unidos ajudem a abordá-los”.

Impacto desigual e risco de isolamento

A Greenpeace reconhece que os efeitos da retirada não serão uniformes. Os Estados Unidos e outros países do Norte Global são responsáveis por uma parte significativa do financiamento internacional para a ação climática e ambiental. A decisão de Washington transfere uma carga acrescida para outros países, num momento em que a cooperação multilateral é considerada crítica.

Por outro lado, a organização sublinha que a ausência dos EUA poderá retirar peso a atitudes obstrucionistas nas negociações internacionais. Ainda assim, o custo do isolacionismo será elevado, traduzindo-se em maior poluição, degradação ambiental e aumento da vulnerabilidade a desastres climáticos.

Greenpeace Portugal fala em “retrocesso grave”

A Greenpeace Portugal classifica a decisão como “um ato de profunda irresponsabilidade e um retrocesso grave para a ação climática global”. Para Toni Melajoki Roseiro, diretor da organização em Portugal, o afastamento dos EUA fragiliza seriamente a resposta internacional à crise climática.

“Os Estados Unidos são a maior economia mundial e uma das maiores emissoras de gases com efeito de estufa. Quando um país com este peso se afasta de mecanismos essenciais de cooperação internacional, enfraquece de forma significativa a resposta global”, afirma.

O responsável alerta ainda para o abandono do trabalho científico desenvolvido no âmbito do IPCC. Considera que ignorar a ciência não elimina a realidade das alterações climáticas.

“Este afastamento representa um desrespeito pelos compromissos internacionais e pelas recomendações científicas que exigem uma ação urgente e coordenada. Tememos também que esta decisão incentive outros governos populistas a abandonar compromissos climáticos”, acrescenta.

Direitos humanos e crise climática

Para a Greenpeace, a decisão norte-americana ultrapassa a esfera ambiental e assume uma dimensão de direitos humanos. As alterações climáticas ameaçam diretamente a vida, a saúde, a alimentação e a habitação de milhões de pessoas, sobretudo das populações mais vulneráveis.

A organização conclui que abandonar acordos e organismos internacionais não faz desaparecer a crise climática, apenas aumenta os riscos e aprofunda as desigualdades globais.

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