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Doença renal crónica: a importância da deteção precoce

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Os rins desempenham diariamente funções essenciais para o equilíbrio do organismo. Filtram o sangue, eliminando toxinas e excesso de líquidos. Além disso, regulam minerais, controlam a tensão arterial e contribuem para a produção de glóbulos vermelhos. No entanto, quando começam a falhar, raramente apresentam sinais evidentes. A doença renal crónica e a importância da deteção precoce são fundamentais para a saúde renal. É neste contexto que surge a Doença Renal Crónica (DRC), uma condição progressiva e frequentemente silenciosa.

Em Portugal, estima-se que cerca de um em cada dez adultos tenha algum grau de doença renal crónica. Esta realidade reflete, em parte, o envelhecimento da população. Também traduz a elevada prevalência de doenças como diabetes, hipertensão e obesidade. Entre os doentes com doença renal avançada, aproximadamente um em cada três tem diabetes. Esse facto reforça a importância da prevenção e do controlo destas patologias para proteger a saúde renal.

Embora muitas vezes silenciosa, a DRC pode ter consequências graves. À medida que a função renal diminui, aumenta o risco de complicações cardiovasculares, como enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral ou insuficiência cardíaca. Estas complicações podem surgir mesmo em fases iniciais da doença, o que demonstra que falar de rins é também falar de saúde global.

Apesar da gravidade potencial da doença, existem medidas que podem contribuir para prevenir ou atrasar significativamente a sua progressão. Por exemplo, uma alimentação equilibrada, com redução do consumo de sal e açúcar, a prática regular de exercício físico, o controlo do peso corporal e a cessação tabágica são fatores fundamentais. Estes fatores protegem a função renal.

O controlo rigoroso da tensão arterial e dos níveis de açúcar no sangue é igualmente determinante. Nos últimos anos surgiram também medicamentos que demonstraram capacidade para atrasar a progressão da doença renal crónica. No entanto, a sua utilização deve ser sempre avaliada individualmente pelo médico, de acordo com a situação clínica de cada pessoa.

O conhecimento sobre a própria saúde constitui uma das principais ferramentas de prevenção. Muitas pessoas desconhecem que os rins podem adoecer durante anos sem apresentar sintomas. Identificar fatores de risco e realizar exames simples pode fazer uma diferença significativa.

Uma análise ao sangue permite avaliar a função renal, enquanto uma análise à urina pode identificar a perda de proteínas. Para a população em geral, recomenda-se que estes exames sejam realizados pelo menos uma vez por ano. Pessoas com maior risco, como diabéticos, hipertensos ou indivíduos com antecedentes familiares de doença renal, poderão necessitar de vigilância mais frequente. Isso deve ocorrer de acordo com orientação médica.

O diagnóstico precoce permite intervir atempadamente, ajustando hábitos de vida e tratamentos, evitando que a doença evolua para fases mais avançadas.

A resposta à doença renal exige também uma abordagem articulada entre diferentes níveis de cuidados de saúde. Médicos de família e centros de saúde desempenham um papel central na deteção precoce e no acompanhamento das pessoas em risco. Já as consultas de Nefrologia asseguram avaliação especializada e definição das estratégias terapêuticas.

Nas fases mais avançadas da doença, as unidades de hemodiálise desempenham um papel fundamental não apenas no tratamento. Mas também são essenciais na educação e apoio contínuo aos doentes. O trabalho de equipas multidisciplinares, que incluem médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos e assistentes sociais, permite oferecer cuidados mais completos. Consequentemente, promovem melhores hábitos de vida.

Levar informação à comunidade é igualmente essencial. Escolas, associações, autarquias, bombeiros e outras instituições podem desempenhar um papel relevante na promoção de estilos de vida saudáveis. Além disso, podem apoiar a realização de rastreios, tornando a prevenção mais acessível.

Com mais informação, hábitos saudáveis, diagnóstico precoce, acesso a novos tratamentos e uma rede de cuidados coordenada, é possível reduzir de forma significativa o impacto da Doença Renal Crónica. Assim, é possível melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Artigo de opinião de Artur Mendes, Diretor Médico Nacional da DaVita Portugal.

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