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Do ecodesign ao retorno: GS1 Portugal aponta caminho para a circularidade das embalagens

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A GS1 Portugal reuniu representantes de todo o setor das embalagens para debater os desafios e soluções da transição para a economia circular. Isso ocorreu numa mesa-redonda integrada na conferência “A revolução na codificação dos bens de grande consumo: as oportunidades e desafios da codificação bidimensional GS1”, realizada na Logipack, na Feira Internacional de Lisboa.

Sob o tema “Sustentabilidade, circularidade e legislação europeia: a longa vida dos materiais de embalagem”, o encontro foi moderado por Marta Résio, Diretora de Sustentabilidade e Comunicação da GS1 Portugal. Também contou com a participação da Sociedade Ponto Verde, Eletrão, Novo Verde e SDR Portugal. A discussão convergiu num ponto essencial. A circularidade só será possível com ecodesign integrado, redes de recolha eficientes, codificação digital interoperável e um mercado sólido de matérias-primas secundárias.

Códigos 2D e Passaporte Digital do Produto: rumo a 2027

A conferência abriu com Raquel Abrantes, Diretora de Qualidade e Standards da GS1 Portugal, que apresentou a transição global para códigos bidimensionais até 2027. Um único QR Code powered by GS1 permitirá reunir informação crítica sobre o produto, rotulagem digital, instruções de reciclagem e dados regulatórios.
Entre as vantagens destacadas estão maior transparência, melhor gestão de stocks, prevenção de desperdício e proximidade com o consumidor. Isso prepara as empresas para o Regulamento Europeu das Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR) e o Passaporte Digital do Produto (PDP).

Ecodesign como base da transição

Para Anabela Ponte, Coordenadora de Gestão de Serviços de Ecodesign da Sociedade Ponto Verde, o futuro passa pela integração obrigatória dos princípios de ecodesign nas políticas empresariais:

“A incorporação transversal dos princípios de ecodesign nas empresas tornar-se-á incontornável com o PPWR e o novo regulamento europeu.”

A especialista destacou o papel de ferramentas como o Ponto Verde Lab e a plataforma Pack for Sustain. Estes apoiam as empresas no desenho de embalagens circulares e na avaliação objetiva da sua sustentabilidade.

Do papel à prática: desafios operacionais

Márcia Damas, Diretora-Geral de Embalagens e Plástico de Uso Único do Eletrão, alertou que Portugal ainda está longe das metas de separação e reciclagem, com o espaço em aterro a esgotar-se. Defendeu maior articulação entre cadeias de valor e sistemas de recolha complementares:

“Se o resíduo não for tratado como matéria-prima, não haverá matéria suficiente para incorporar. É urgente premiar a eficiência e envolver o cidadão.”

Regulação e novos modelos de valor

Pedro Simões, Country General Manager da Novo Verde, considerou o PPWR “uma oportunidade para dinamizar o mercado das embalagens”. Destacou o PDP como instrumento crucial de transparência e rastreabilidade. Este reúne informação sobre componentes, circularidade e desempenho ambiental.
No entanto, alertou para a escassez de matérias-primas secundárias adequadas para contacto alimentar, um dos grandes desafios da indústria.

Sistema de Depósito e Retorno: o ciclo completo

Pedro Lago, Diretor de Desenvolvimento e TI da SDR Portugal, apresentou o Sistema de Depósito e Retorno (SDR) como um modelo de circularidade operacional. Nesse sistema, o consumidor recebe de volta o depósito ao devolver a embalagem.
Com uma rede de recolha alargada e digitalizada, o SDR integra códigos 2D e contribui para reduzir em 20 a 30% os custos de limpeza urbana. Isso aumenta a qualidade dos materiais recicláveis e a rastreabilidade das embalagens.

Reconhecimento e benchmarking

No encerramento, a GS1 Portugal anunciou os vencedores da 13.ª edição do Benchmarking Supply Chain, que contou com 27 fornecedores e 10 retalhistas.
Entre os fornecedores, Matudis conquistou o primeiro lugar, seguida por Sumol+Compal, Coca-Cola, Delta e Primedrinks. No segmento dos retalhistas, o pódio foi ocupado por Sonae MC, Pingo Doce e Auchan.

Com o PPWR à porta e metas ambientais cada vez mais exigentes, a conferência confirmou que a circularidade depende de inovação, cooperação e transformação digital, do ecodesign ao retorno.

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