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No próximo dia 11 de abril assinala-se o Dia Mundial da Doença de Parkinson, uma data que homenageia James Parkinson, o médico que descreveu a doença em 1817. É fundamental abordar temas como doença de Parkinson, reabilitação, medicina física e qualidade de vida neste contexto. A nível global, estima-se que mais de 10 milhões de pessoas sejam afetadas, incluindo cerca de 20 mil em Portugal.
Para além do diagnóstico e do tratamento farmacológico, importa destacar o papel da Medicina Física e de Reabilitação (MFR), frequentemente subvalorizado, mas essencial na resposta à perda de funcionalidade associada à doença.
Doença de Parkinson vai além do tremor
A perceção comum associa o Parkinson ao tremor. No entanto, os principais fatores de incapacidade são a rigidez, a bradicinesia e a instabilidade postural.
Assim, apesar da medicação ser fundamental no controlo dos sintomas, não resolve os problemas de funcionalidade. É neste contexto que a intervenção da Medicina Física e de Reabilitação assume um papel central.
Reabilitação assume papel estruturante no tratamento
A abordagem moderna da doença exige uma resposta multidisciplinar. Além disso, a intervenção da MFR permite atuar em várias dimensões da autonomia do doente.
Entre as principais áreas de intervenção destacam-se:
– Fisioterapia e reeducação da marcha e equilíbrio, recorrendo a estímulos visuais e auditivos para ultrapassar bloqueios
– Terapia ocupacional, adaptando atividades do quotidiano para preservar a independência
– Terapia da fala, essencial no tratamento da disfagia e da hipofonia
Por outro lado, o objetivo não é recuperar totalmente funções perdidas, mas sim manter a autonomia e evitar a progressão acelerada da incapacidade.
Envelhecimento agrava desafio do Parkinson
O envelhecimento da população aponta para uma duplicação dos casos até 2040. Assim, o principal desafio passa pelo acesso precoce à reabilitação.
Não se deve esperar pela perda significativa de capacidade funcional para iniciar intervenção. Além disso, a atuação precoce permite reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida.
Portugal enfrenta desigualdades no acesso
Apesar da existência de profissionais qualificados, persistem assimetrias geográficas no acesso a cuidados de MFR em Portugal.
Por sua vez, o investimento em reabilitação revela-se eficiente do ponto de vista económico, ao reduzir quedas, fraturas e internamentos hospitalares.
Além disso, a eficácia do tratamento mede-se pela capacidade de atrasar a progressão da doença e preservar a funcionalidade.
Reabilitação é essencial para a dignidade do doente
O diagnóstico de Parkinson não representa o fim da vida ativa. Pelo contrário, marca o início de um percurso que exige resposta integrada do sistema de saúde.
Por fim, a Medicina Física e de Reabilitação assume-se como ligação entre a doença e a participação social, sendo determinante para a qualidade de vida e dignidade dos doentes.
Artigo de Pedro Branco, Presidente da Associação Portuguesa de Medicina Física e Reabilitação (APMFR)
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