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Protesto contra fogos a 20 de Setembro já confirmado em doze aldeias, vilas e cidades.

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De Norte ao Sul do país, as populações vão mobilizar-se para exigir uma transformação de fundo na floresta e no território, sob o lema “Deseucaliptar, Descarbonizar, Democratizar”. Arganil, Braga, Coimbra, Lisboa, Lousã, Odemira, Oliveira do Hospital, Pedrógão Grande, Ponte da Barca, Porto, São Pedro do Sul, Sertã e Valongo do Vouga já confirmaram adesão ao protesto marcado para dia 20 de Setembro pelo país. 

 

As respostas evasivas e defensivas do Primeiro-Ministro hoje no Parlamento garantem que não haverá qualquer mudança fundamental na situação catastrófica na qual o país já se encontra. É urgente um sobressalto popular e cidadão que coloque em questão escolhas fundamentais que foram tomadas durante as últimas décadas sem consultar a população, e que cada vez mais revelam o seu caráter estruturalmente destruidor.

 

Fernando Amaral, antropólogo que foi vítima dos incêndios de 2017, um dos porta-vozes do movimento, é peremptório “Precisamos que a população não caia no torpor de aceitar que os incêndios são inevitáveis, e também evitar as armadilhas comunicativas que nos são postas à frente: vivemos num interior cada vez mais abandonado, cada vez mais cheio de espécies perigosas como eucaliptos e acácias, que aceleram e espalham os fogos, e cada vez mais quente. Não podemos resolver isto com mudanças superficiais nas estruturas de combate aos incêndios nem podemos deixar que nos virem uns contra os outros, colocando o enfoque no início do fogo e atirando areia para os olhos sobre o porquê das chamas se tornarem incontroláveis e devoradoras. Precisamos de mudar para uma floresta para autóctone e resiliente, mudar a estrutura da propriedade e travar a subida da temperatura.”

 

Além das treze localidades que já confirmaram a participação no protesto, há pelo menos uma dezena de outros preparando-se para juntar-se no dia 20, incluindo fora de Portugal, na Galiza e em outros locais de Espanha. 

 

Segundo Fernando Amaral, “Nos últimos 35 anos, o equivalente a metade do território nacional já ardeu. O que está em causa é a própria viabilidade do país. Para podermos ter uma terra onde possamos viver sem medo, para termos um futuro, temos que organizar a mobilização popular que a política nunca quis nem aceita. Para podermos ter um futuro, temos de construí-lo com as nossas mãos. Dia 20 será apenas o primeiro dia. Dia 21 continuaremos a construir as redes e as pontes que precisamos para sobrevivermos enquanto sociedade.”

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