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UNEF: O “mini SEF” que pode tornar-se gigante no sistema europeu de fronteiras

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Um novo capítulo na gestão de fronteiras

Com a entrada em vigor da Lei n.º 55-C/2025, de 22 de julho, nasceu oficialmente a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), integrada na Polícia de Segurança Pública (PSP). Trata-se do novo “mini SEF”, responsável pelo controlo de fronteiras aéreas, gestão de cidadãos estrangeiros e execução de medidas de afastamento e expulsão.

A UNEF inicia funções com 1.200 polícias já formados e a meta de atingir 2.000 colaboradores, incluindo técnicos especializados e parceiros da sociedade civil.


Competências centrais da UNEF

  • Controlo e vigilância das fronteiras aéreas;

  • Fiscalização da permanência de cidadãos estrangeiros em território nacional;

  • Processos de afastamento, readmissão e retorno voluntário;

  • Gestão dos centros de instalação temporária;

  • Segurança aeroportuária e prevenção de ilícitos contra a aviação;

  • Abertura de processos de contraordenação no âmbito do regime jurídico de entrada, permanência e saída de estrangeiros.


Um pilar europeu

A UNEF nasce já enquadrada em compromissos comunitários:

  • Sistema de Entradas e Saídas (EES): arranca a 12 de outubro de 2025, impondo registo digital de entradas e saídas de cidadãos de países terceiros;

  • Pacto Europeu para as Migrações e Asilo: previsto para 2026, exigirá maior capacidade de gestão migratória e integração no sistema de dados europeu.

Assim, a PSP passa a desempenhar um papel duplo: polícia interna e executor das políticas migratórias da União Europeia.


O que já foi feito

Desde novembro de 2023, a PSP assumiu funções transitórias nesta área, com resultados expressivos em 2024:

  • 20,7 milhões de passageiros controlados;

  • 205 detenções realizadas;

  • 600 fraudes documentais detetadas;

  • 2.300 recusas de entrada em território nacional;

  • 2.700 imigrantes irregulares identificados.


As críticas e os riscos

Os sindicatos da PSP alertam para a sobrecarga: a nova unidade “desfalca esquadras” e retira polícias das ruas. A UNEF herda ainda milhares de processos de afastamento e contraordenações, tradicionalmente complexos e litigiosos.

O perigo é claro: falta de meios humanos, excesso de burocracia e maior desgaste judicial para a PSP.


Opinião

A UNEF representa uma aposta política clara: dar à PSP a centralização do controlo de fronteiras, deixando à AIMA funções sociais e de integração. A promessa é de fronteiras seguras e gestão humanista da imigração.

Se a unidade for eficaz, Portugal poderá tornar-se um referente europeu em gestão de fronteiras. Se falhar, será apenas mais um “mini SEF” condenado a repetir os erros do passado – com outro nome e maior exposição pública.


Enquadramento jurídico

  • Lei n.º 55-C/2025, de 22 de julho: cria a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras na PSP e define as suas competências.

  • Regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros (Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, com alterações subsequentes).

  • Regulamento (UE) 2017/2226: cria o Sistema de Entradas e Saídas (EES).

  • Pacto Europeu para as Migrações e Asilo (2024/2026): pacote legislativo europeu que redefine a política comum de migração.


Nota final: O sucesso da UNEF dependerá da capacidade da PSP em equilibrar segurança, legalidade e direitos humanos – um tripé difícil de sustentar sob pressão política, social e europeia.

Por Lino Gonçalves, Diretor de Informação 

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